sábado, 27 de junho de 2009

TEXTO DO DIA

PERCEPÇÃO
J. KRISHNAMURTI (1895-1986)
A REDE DO PENSAMENTO (TRECHO FINAL DA PALESTRA REALIZADA EM 16.07.1981, EM SAANEN, NA SUIÇA)

Agora, podemos observar - não importa o que - sem nomear, sem a lembrança? Olhem para o seu amigo, ou para sua esposa, ou seja lá para quem for; observem essas pessoas sem as palavras "minha esposa", ou "meu amigo", ou "pertencemos ao mesmo grupo", sem nada disso, observem de tal modo que não estejam observando por meio da lembrança. Vocês alguma vez já tentaram fazer isso diretamente? Olhem para a pessoa sem nomeá-la, sem o tempo e a lembrança, e olhem também para vocês mesmos, a imagem que construíram do outro; olhem como se estivessem olhando pela primeira vez - como olhariam para uma rosa pela primeira vez. Aprendam a olhar; aprendam a observar esta qualidade que surge sem toda a operação do pensamento. (...) Obviamente, deve-se exercer a capacidade de ser lógico, racional e, ainda assim, conhecer as suas limitações, porque o pensar racional, lógico, ainda faz parte do pensamento. Sabendo que o pensamento é limitado, estejam cônscios dessa limitação e não o empurrem para adiante, porque ele ainda será limitado, por mais longe que vocês vão, enquanto que, se vocês observam uma rosa, uma flor, sem a palavra, sem nomear a cor, mas apenas olham para ela, então esse olhar produz grande sensibilidade, quebra esse sentido de densidade do cérebro e dá uma extraordinária vitalidade. Há uma espécie de energia totalmente diferente quando há a percepção pura, que não está relacionada com o pensamento e o tempo.

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