Osman Said
Diante da obra, feche os olhos...
Dez segundos bastarão para você perceber a poesia da natureza, a força do homem e o poder do Universo, ao abri-los.
Reabra-os, porém, com a mente limpa das lembranças passadas e das preocupações futuras. Reabra-os como se o momento contivesse o êxtase de um primeiro, a profundidade de um derradeiro e a eternidade de um único olhar.
Abra os olhos de sua boca e entoe os ritmos que os olhos dos seus ouvidos perceberem nos movimentos de traços, buscas e fugas. Solte seu corpo e deixe-se levar pelos sons que os olhos de suas narinas puderam captar no aroma das cores e formas.
Crie um íntimo relacionamento com a textura da obra, sentindo-a plenamente com os olhos de suas mãos, tateando seus volumes e sulcos, cortes e linhas. Envolva-se com suas transparências e confunda-se com seus detalhes.
Seja, enfim, a própria obra, para ser também obra, maior obra. A Grande Obra da Arte Vivida.
JORNAL DAS ARTES - MAI/94




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